VÍDEO: 'Isso não vai sair da cabeça do meu filho', diz mãe de menino alvo de estupro coletivo em SP
Mãe de menino estuprado diz que filho não esquecerá crime “Teve a Justiça. Não do jeito que eu queria, mas teve. Isso não vai sair da cabeça do meu filho. Não tão cedo. É uma coisa que, ainda mais, depois desses vídeos e tudo…” O desabafo é da mãe de uma das duas crianças vítimas de um estupro coletivo ocorrido em 21 de abril na Zona Leste de São Paulo. Em entrevista à TV Globo, ela falou sobre o impacto do crime na vida do filho de 10 anos e da família. A outra vítima tem 7 anos. Para preservar a identidade das vítimas, a imagem da mulher não foi exibida. Ela é mãe de um dos dois meninos que foram estuprados por cinco pessoas — um homem de 21 anos e quatro adolescentes, de 14 a 16 anos. Segundo ela, o filho passou a ficar mais calado desde o crime. “Ele ficou mais quieto, né? Ele era um pouco mais falante dentro de casa. Ele fica um pouco mais quieto. Ele tem medo dos outros, lá onde a gente está, descobrir. Porque é chato comentar alguma coisa.” Apesar da dor, a mãe afirma que tenta seguir em frente. “Eu tô me sentindo aliviada pelas prisões, né? Porque eles vão pagar pelo que eles fizeram. E, agora, vou entregar nas mãos de Deus.” 'É horrível', diz mãe de menino Mãe de menino estuprado (à esquerda) diz que o crime cometido por Alessandro Santos (à direita) e outros quatro adolescentes não sairá da cabeça do filho. Reprodução/TV Globo A mulher diz que convive com um sentimento constante de tristeza. “Eu me sinto mal. Porque, querendo ou não, eu deixei, dei liberdade para ele brincar com esses meninos. Mas iam chamar na porta. Peguei uma certa confiança, porque foram um tempo, né? Eles sempre estavam juntos. E eu não ter percebido isso, pra mim, é horrível", diz a mãe do menino. Ela contou como, segundo a investigação, o crime teve início. “Os meninos [abusadores] chamaram eles para empinar pipa. Na hora que eles entraram, trancaram a porta e começaram os atos", fala a mulher. Quem são os 5 suspeitos detidos Suspeito de estupro de crianças na ZL é transferido para prisão De acordo com a polícia, além do convite para empinar pipa, uma das crianças também foi chamada para tomar banho antes do crime — o que ajudou os investigadores a entenderem a dinâmica usada pelos suspeitos para atrair as vítimas. O crime só foi comunicado à polícia dois dias depois. A denúncia foi feita após a irmã de uma das vítimas ver um vídeo do estupro circulando nas redes sociais. A partir dessas imagens, os investigadores identificaram e detiveram os cinco envolvidos. O único adulto no grupo é Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, apontado como responsável por gravar e divulgar os vídeos. Ele foi preso na cidade de Brejões, na Bahia, e levado para o 63º Distrito Policial (DP), na Vila Jacuí, na Zona Leste de São Paulo, responsável pela investigação. 'Insensibilidade', diz delegado do caso Alessandro, preso por suspeita de participar de estupro coletivo Divulgação/Polícia Civil de SP Segundo a polícia, Alessandro confessou participação no estupro e não demonstrou arrependimento. “Na verdade, o que a gente percebe é uma insensibilidade diante do sofrimento”, afirmou o delegado responsável pelo caso. Os outros quatro suspeitos são adolescentes. Todos foram apreendidos e também confessaram participação. Em depoimento, alegaram que se tratava de uma “brincadeira”, versão considerada inaceitável pelos investigadores. “A gente ouviu em algum momento a palavra ‘zoeira’, o que não é o que se aceita como uma zoeira entre crianças, entre adolescentes. Realmente foram atos de sadismo”, disse o delegado. Os adolescentes podem cumprir até três anos de internação por estupro de vulnerável. Já o adulto foi indiciado por estupro de vulnerável, corrupção de menores e compartilhamento de pornografia infantil. Adulto preso por estupro coletivo é transferido da BA a SP Dados estatísticos Manifestantes protestam contra estupro coletivo na Zona Leste de SP Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que a cidade de São Paulo registrou 640 casos de estupro de vulnerável apenas no primeiro trimestre de 2026 — o maior número para o período desde 2017. Isso representa, em média, sete vítimas por dia, ou um caso a cada três horas e vinte minutos. Para o advogado e especialista em direitos humanos Ariel de Castro Alves, o aumento está ligado a uma combinação de fatores, como a circulação de conteúdos violentos na internet, maior conscientização para denúncia e sensação de impunidade. Ele também destacou a falta de delegacias especializadas para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em São Paulo.
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