Neil, a foca-elefante de 1 tonelada que viralizou ao ‘brigar’ com carros e parar ruas na Austrália
Nesta foto fornecida por Sam Volker Photography, Neil, uma foca-elefante de 1.000 kg, se aconchega em postes que danificou na Tasmânia, Austrália, em 27 de junho de 2026. Sam Volker Photography via AP Neil tem apenas 5 anos, pesa cerca de uma tonelada, costuma bloquear ruas, derrubar estruturas de proteção e até “enfrentar” carros estacionados. O comportamento pouco discreto transformou a foca-elefante em uma celebridade da internet — e em uma preocupação para autoridades da Austrália. O animal voltou em junho para a região costeira da Tasmânia onde nasceu, como parte de um ciclo natural de retorno à terra firme após passar meses se alimentando no mar. Mas, desta vez, Neil retornou maior, mais forte e acompanhado por uma legião de fãs: ele soma mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. Neil, uma foca-elefante de 1.000 kg, brinca com um cone de trânsito na Tasmânia, Austrália, em 27 de junho de 2026. Sam Volker Photography via AP Desde então, a passagem da foca por pequenas cidades australianas deixou um rastro de situações curiosas: postes de trânsito entortados, placas derrubadas, cercas danificadas e momentos em que Neil simplesmente decide descansar no meio do caminho, interrompendo a rotina dos moradores. Apesar da fama, especialistas e autoridades ambientais fazem um alerta: a aproximação excessiva de pessoas pode colocar em risco tanto os humanos quanto o próprio animal. Agora no g1 Fama nas redes preocupa autoridades Segundo o Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Tasmânia, alguns visitantes têm ignorado orientações de segurança para conseguir fotos e vídeos de Neil. Kris Carlyon, representante do órgão, afirmou que a popularidade da foca se tornou uma “faca de dois gumes” e citou casos de pessoas que chegaram perto demais do animal, inclusive levando crianças pequenas para tentar fazer registros para as redes sociais. As autoridades pedem que moradores e turistas mantenham distância e evitem divulgar a localização exata de Neil para impedir aglomerações. A preocupação é que um incidente obrigue equipes ambientais a retirar o animal da região — uma operação considerada arriscada. Autoridades também lembram casos de outros animais selvagens que viralizaram e acabaram prejudicados pela exposição excessiva. Em 2023, a morsa Freya, que atraía multidões na Noruega, foi sacrificada depois que autoridades locais afirmaram que havia um risco crescente à segurança das pessoas. “Existe aqui o risco de, essencialmente, amarmos Neil até a morte”, disse Carlyon. Neil, uma foca-elefante de 1.000 kg, descansa encostado em uma placa enquanto se desloca por uma área na Tasmânia Sam Volker Photography via AP Por que Neil ‘briga’ com carros? Apesar da aparência de mau comportamento, especialistas explicam que as atitudes de Neil fazem parte do desenvolvimento natural de um macho jovem. Sophia Volzke, pesquisadora de elefantes-marinhos da Universidade da Tasmânia, explica que os machos precisam praticar disputas de dominância. Na natureza, esses confrontos acontecem quando os animais se erguem e usam o próprio corpo para empurrar rivais durante competições por território e acasalamento. Como Neil não encontra outros machos jovens da espécie na região, ele acaba treinando com objetos — incluindo veículos estacionados. A presença dele na Tasmânia também é considerada incomum. Populações de elefantes-marinhos vivem principalmente em ilhas subantárticas ao sul da região, e a mãe de Neil provavelmente saiu de uma dessas áreas para dar à luz. Neil observa um poste que danificou na Tasmânia, Austrália Sam Volker Photography via AP Neil ainda pode ficar três vezes maior O retorno de focas à terra firme é um comportamento esperado: os animais costumam voltar ao local onde nasceram para descansar, trocar de pelos e passar períodos sem se alimentar. Mas o tamanho de Neil chama atenção. Ele já pesa o equivalente a um carro pequeno e, se chegar à fase adulta, poderá alcançar cerca de 5 metros de comprimento e pesar até três vezes mais. Nem todos os machos, porém, chegam lá. Segundo especialistas, cerca de 90% dos elefantes-marinhos machos morrem antes da idade reprodutiva, que ocorre por volta dos 10 anos. Por enquanto, Neil segue ocupando os lugares que escolhe — incluindo calçadas e ruas — e encantando fãs com cenas como brincar com cones de trânsito. Para alguns moradores, a convivência exige paciência. Para outros, a foca já virou símbolo local. “É o mundo do Neil e nós apenas vivemos nele”, resumiu um morador da região.
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