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Campinas vai usar mosquitos com bactéria que bloqueia transmissão da dengue no combate à doença; entenda

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07 de Julho de 2026 às 21:09
3 min de leitura
Campinas vai usar mosquitos com bactéria que bloqueia transmissão da dengue no combate à doença; entenda

Mosquitos Aedes aegypti são mantidos em gaiolas para que pesquisadores coletem seus ovos, em um laboratório da empresa de biotecnologia Wolbito. Nelson Almeida/AFP Campinas (SP) foi selecionada pelo Ministério da Saúde para adotar o Método Wolbachia na cidade, estratégia que utiliza mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria capaz de impedir a transmissão da dengue, zika e chikungunya - entenda como funciona a tecnologia abaixo. A previsão é que a soltura dos insetos modificados comece em maio de 2027 e que os primeiros impactos sejam observados em 2028. O anúncio foi feito nesta terça-feira (7) pela prefeitura. Para participar do programa, o município formalizou a aceitação do convite do governo federal e receberá, a partir de agosto, apoio técnico da empresa responsável pela implantação da tecnologia no Brasil. ➡ Em 2024, Campinas solicitou ao Ministério da Saúde a inclusão no programa, mas ficou fora da primeira fase de expansão por limitações na capacidade de produção dos mosquitos e entrou em uma "lista de espera". Naquele ano, a metrópole vivia a terceira maior epidemia da doença desde 1998. VEJA TAMBÉM Campinas ganha biofábrica capaz de produzir 190 milhões de mosquitos com bactéria que bloqueia transmissão da dengue Aquacultura, dieta e gaiolas: como biofábrica quer produzir 190 milhões de mosquitos com bactéria para combater dengue Como biofábrica quer produzir 190 milhões de mosquitos com bactéria para combater dengue O que é a Wolbachia? A Wolbachia é uma bactéria intracelular, presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos, e não é transmissível para humanos ou animais. Quando inserida no mosquito Aedes aegypti, ela impede que o vírus da dengue se replique dentro do organismo do inseto. Com isso, mesmo que o mosquito pique uma pessoa, ele não transmite a doença. A técnica é chamada de substituição populacional: os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente e se reproduzem com os mosquitos selvagens. A bactéria é passada para os descendentes, e aos poucos, a população local passa a ser composta majoritariamente por mosquitos que não transmitem os vírus. Soltura começa em 2027 Segundo a Secretaria de Saúde de Campinas, a previsão é que a soltura dos mosquitos ocorra a partir de maio de 2027, período em que normalmente há redução da circulação do vírus. A liberação dos insetos deverá ocorrer ao longo de 26 semanas. A expectativa da prefeitura é que os resultados comecem a ser percebidos a partir de 2028. Projeto prevê biofábrica e investimento de até R$ 22 milhões Para viabilizar a iniciativa, Campinas pretende implantar uma biofábrica para desenvolvimento dos mosquitos, contratar 59 agentes de controle ambiental e dois biólogos, além de locar 14 veículos e adquirir equipamentos. O custo estimado do projeto varia entre R$ 20 milhões e R$ 22 milhões. Desse total, R$ 7 milhões serão repassados pelo Ministério da Saúde, enquanto o restante será financiado pelo orçamento municipal. A empresa Wolbitos, responsável pela operação da tecnologia no Brasil, fornecerá assessoria técnica, treinamento das equipes, ações de conscientização da população, além dos ovos com Wolbachia utilizados na produção dos mosquitos. Meta é atingir 60% dos mosquitos com Wolbachia Os resultados serão monitorados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o método será considerado efetivo quando ao menos 60% da população local de Aedes aegypti estiver carregando a bactéria. A expectativa das autoridades sanitárias é que a estratégia se torne uma ferramenta permanente de enfrentamento às arboviroses, complementando medidas já adotadas, como eliminação de criadouros, vacinação e ações de controle vetorial. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
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